A face do Quasímodo
Autor: MaicknucleaR
Atiram-me pedras quando ando por essas ruas de terra batida.
Insultam-me com nomes de injúria.
O próprio reflexo de minha face na água do rio, faz com ela mesma se assuste e fique trêmula, tornando-me mais feio…
Dizem pela cidade que sou um monstro sem coração que devora criancinhas e mata animais para satisfazer meus insanos desejos.
Dizem que sou a própria encarnação do cão.
Tenho plena consciência que minhas atitudes são estranhas, mas o que eles não sabem é que todas têm fundamento e são construídas sob cálculos.
Eles não sabem, mas meu coração é a morada do bem!
Afasto-me de pessoas que ganham a vida em cima de minha corcunda e, por causa disso, percebo que aquela bela dama que todo dia abrilhantava minha alcova com suas visitas repetidas e repentinas todos os dias, já não me honra mais com o ar de sua graça.
Sinto o peso das palavras de pessoas que conversam sobre minhas atitudes, decisões e decidem que o mais certo a se fazer é jogar-me na masmorra da existência.
Minha orelha queima.
Vejo o bem sendo visto como o mal.
Vejo o bom sendo visto como o pior.
Vejo o gênio sendo tratado como monstro por culpa de uma corcunda visível.
Livro-me de pessoas que querem me usar para ganhar dinheiro em cima de mim colocando-me como amostra na jaula de um circo de horrores.
Vejo agora que aquela dama não se importava…
Vejo minha horrenda face no reflexo das águas cristalinas desse rio que estou a deriva!
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